MÚSICA FRANCESA Meu nome é Ziyad, médico, e me tornei um amante da música francesa aos 12 anos, quando escutei pela primeira vez "Sous le Ciel de Paris", que passei a ouvir sempre no velho toca-fitas de meu pai. Ao longo dos anos, esse repertório, não apenas cultural, mas sobretudo emocional cresceu imensamente. Criei esse blog para compartilhar informações com todos aqueles seduzidos por essas chansons.
Nessa última sexta-feira, dia 22/02, fui ver Bernard Fines no All of Jazz. Fines cantou acompanhado de um trio. A noite reservou um repertório francês em ritmo de jazz, bossa nova com sotaque dos Pirineus, e inclusive alguns clássicos brasileiros cantados na língua de Victor Hugo. Sentir de perto Bernard Fines soltar “Meu Bem Querer” de Djavan em francês traz muita paz.
Enquanto Fines cantava, eu tentava adivinhar como veio parar em nosso país. Sem material sobre ele, comecei a inventar a sua história. O bisavô era português que migrou para Recife, tornou-se um latifundiário, se envolveu com uma índia e tiveram quatro filhas. Uma delas, a avó de Bernard, conheceu um francês pagão cuja penalidade, por não ser católico, era morar numa colônia na América do Sul. Ambos embarcaram para Toulousse quando a pena foi revogada. Duas gerações após, o neto se forma em antropologia e, influenciado pelos estudos de Lévi Strauss, retorna ao Brasil para se conectar com a matriz da avó cabocla.
Em poucos instantes, devolvi com facilidade um passado ao artista cuja vida eu tentava encaixar numa lógica, como se eu tivesse abortado em mim “as linhas de fuga” deleuziana. Após uma taça de champagne, a gente pode criar qualquer coisa. Quase pedi uma dose de vinho verde depois. Ando cercado de Pernambuco no último mês. Estou no meio da leitura de “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freyre, iniciando-me na linguagem nativa de “Boi sem Asas” da escritora Nina Maniçoba (de Floresta-PE) e sacudido com a recente descoberta de Kleber Mendonça Filho (diretor do filme “O Som ao Redor”). Preciso conhecer com urgência Recife e suas pontes abençoadas de gente interessante.
Ao final da apresentação, o depositário de todas as minhas confabulações sentou-se à nossa mesa. Teria sido essa uma atitude para desmontar a minha imaginação? Naquela hora, pude entrar em contato com o mundo real, concreto, único lugar onde as coisas se tocam de mentira. A sensação produzida pela arte pode, às vezes, ser a nossa única verdade. Na proximidade com monsieur Bernard, ele mostrou o quanto é simpático, nem parece francês. Confessou que a alegria das pessoas no Brasil é a parte mais atraente. Um povo sorridente, apesar dos problemas. Ao me lembrar da sua interpretação de Djavan, cheguei a pensar que o cruzamento não foi com uma índia, mas havia sangue negro esparramado. Eu me esforçava para dar corpo à história que eu tinha inventado minutos
antes.
O músico contou-me, ao final, que veio morar no Brasil para trabalhar como engenheiro no Paraná, mas sempre foi um apaixonado pela riqueza da música brasileira, sobretudo por Caetano Veloso, Tom Jobim, Milton Nascimento e Chico Buarque. Comentou o quanto a música brasileira é vasta em acordes.
Bernard Fines é prodigioso em fazer acordos com acordes. Um francês disfarçado de mestiço, sintetizando toda a pluralidade de encontros. Um casamento que deu certo. Só faltou o cartório. Où est le maire ?
BOI SEM ASAS, de Nina Maniçoba Ferraz, Dobra Editorial, 2012
Bernard Fines é nativo de Toulouse. Mudou-se para o Brasil em 1992 para trabalhar como engenheiro. Em 2003, deu início à carreira como músico profissional. Cantor, compositor e músico (toca piano, violão, contrabaixo). Enquanto que para Proust os belos livros estão escritos numa espécie de língua estrangeira, é na língua materna que Fines começa registrando a intensidade do encontro, ao interpretar clássicos de sua pátria com arranjos de jazz.
Bernard lançou em 2008 o CD “Sous le Ciel de Paris” (Delira Música) onde canta renomadas canções como La Bohème (Aznavour), Que reste-t-il de nos amours (Charles Trenet), Ne me quitte pas (Brel), Comme d’habitude (Claude François), C’est si bon (Yves Montand), Les feuilles mortes (Jacques Prévert), etc.
Bernard Fines & Júlio Bittencourt Jazz Trio se apresentam nessa sexta-feira, dia 22 de fevereiro, às 22 h 30 min , na casa All of Jazz. O local é bastante enxuto, acomoda 50 pessoas sentadas em um único e pequeno salão, proporcionando um clima mais intimista entre quem toca e quem ouve. No andar superior, há uma sala recheada de CD’s só de jazz e bossa nova, com três mil títulos à venda. Antônio Augusto Deleuse, dono do bar, diz que “quanto aos CD’s, compro e ponho à venda os que quero para mim.” Deleuse, ex-engenheiro da Rhodia, uma vez me falou, brincando é claro, que sonhava em abrir um bar onde ele pudesse beber sem pagar. Um devaneio que tem marcado a diferença na Vila Olímpia há 18 anos.
Et rien qu'une chanson Pour convaincre un tambour" Jacques Brel
"A desterritorialização enfraquece o reinado da arte em oposição à vida,
promove o encontro entre vida e arte,
onde uma e outra se tornam indiscerníveis." Deleuze
Jacques Brel, apesar de uma infância e juventude burguesa em Bruxelas, cantava os pobres, os tímidos, os frustrados, os desesperados, os vencidos, proclamando que toda a gente precisa de ternura. Em 1956, enquanto se acentuava a Guerra de Independência da Argélia, Brel escreve “Quand on n’a que l’amour”, que testemunha a própria oposição do cantor à guerra. Ao pequeno belga que leu na escola Victor Hugo e Albert Camus, não faltou imaginação para dar voz aos oprimidos do norte da África. Nessa canção, observa-se a técnica de canto utilizada por Brel, o crescendo, onde se aumenta progressivamente o volume e a dinâmica da canção. Em “Quand on n’a que l’amour”, o seu crescendo e final explosivo serão retomados em outras composições e ficarão conhecidos como “crescendo brélien”. A soberania de uma voz e de um violão nos convocam, no último verso dessa música, para a grandiosidade da ternura. Alors sans avoir rien Que la force d’aimer, Nous aurons dans nos mains Amis, le monde entier
Quand on n'a que l'amour
Paroles et Musique: Jacques Brel 1956 autres
Quand on n'a que l'amour À s'offrir en partage Au jour du grand voyage Qu'est notre grand amour Quand on n'a que l'amour, Mon amour toi et moi Pour qu'éclatent de joie, Chaque heure et chaque jour. Quand on n'a que l'amour Pour vivre nos promesses Sans nulle autre richesse Que d'y croire toujours Quand on n'a que l'amour Pour meubler de merveilles Et couvrir de soleil La laideur des faubourgs Quand on n'a que l'amour Pour unique raison Pour unique chanson Et unique secours Quand on n'a que 'amour Pour habiller le matin Pauvres et malandrins De manteaux de veloursQuand on n'a que l'amour À offrir en prière Pour les maux de la terre, En simple troubadour Quand on n'a que l'amour À offrir à ceux-là Dont l'unique combat Est de chercher le jour Quand on n'a que l'amour Pour tracer un chemin Et forcer le destin À chaque carrefour Quand on n'a que l'amour Pour parler aux canons Et rien qu'une chanson Pour convaincre un tambour Alors, sans avoir rien Que la force d'aimer, Nous aurons dans nos mains, Amis, le monde entier
Henri Salvador é americano. Do sul. Nascido em Caiena, capital da Guiana Francesa, filho de um professor descendente de espanhóis e de uma mãe de origem indígena, amazônica, mudou-se para Paris aos sete anos.
Henri morou no Rio de Janeiro por quatro anos durante a Segunda Guerra Mundial. O músico chegou à cidade maravilhosa em 1942 para uma temporada de shows no Copacabana Palace, mas falido e logrado pelo gerente do hotel, conseguiu construir uma reputação no Cassino da Urca.
Por ocasião de sua morte em 2008, obituários do mundo inteiro o apresentavam como o inspirador de Tom Jobim na criação da Bossa Nova através da música "Dans mon Île" (1957). Em entrevista a uma rádio francesa, Henri contou que foi no filme italiano "Europa da Noite"(1959) que Tom Jobim ouviu, pela primeira vez, a canção "Dans mon Île" e comentou com Sérgio Mendes: " É isso aí. É o que nós temos de fazer - atrasar o andamento do samba, botar acordes modernos e transformá-los num ritmo completamente novo. " Tom assistiu ao filme no Brasil em 1960, quando já tinha feito várias composições como "Chega de Saudade", "Samba de Uma Nota Só", "Desafinado", "Corcovado". Vamos supor, entretanto, que "Dans mon Île" tenha estourado em disco antes do filme, e o 45 rpm, com um buraco no meio, tenha chegado às mãos de Tom em 1957. Ele já havia feito "Correnteza", "Tereza da Praia", "Lamento no Morro".
Assim, pode-se dizer que Henri Salvador, condecorado pelo governo brasileiro em 2006, por sua "contribuição à criação da bossa nova", inspirou Jobim a fazer o que de há muito já fazia.
Será que o papel de Henri Salvador na Bossa é um mito?
Eu acredito que uma música autêntica é tão impessoal que deixa de ser autoral. A Bossa Nova tá na boca do povo, pertence ao coletivo. Não interessa se o compositor guianês teve alguma ou nenhuma influência sobre o nosso maestro maior. Um grande músico é aquele que consegue ser atravessado por vários fluxos e dar uma unidade a eles. E isso Salvador e Jobim souberam fazer tão bem.
O melhor da Gastronomie Française com o melhor de la musique
Querem jantar nesse final de semana um cardápio francês com a melodia francófona na beira do ouvido? Recomendo a todos o jantar "Uma noite com Piaf" que acontecerá nessa sexta-feira, dia 26 de outubro, no Orbacco, um espaço gastronômico no Sumarezinho. O evento será embalado pela cantora Sônia Andrade que interpretará o repertório de Edith Piaf ao som do acordeon de Tadeu Romano. Uma das poucas oportunidades de se ouvir a voz cativante de Sônia embalada pelo acordeon de Tadeu que nos transporta para uma época mais artesanal onde a lágrima e o aplauso tomam o lugar de um mundo cheio de fraudes.
Eu já fui duas vezes nesse evento e o recomendo bastante. O jantar preparado pelo chef Luis Felipe Calmon é para inglês ver (nem preciso dizer que o local é uma escola de gastronomia). Sou fã número um da Sônia desde quando a conheci em 2010, essa mineira que morou em Montpellier e parece ter o sangue todo substituído por vinho rouge quando canta, tal a força de sua interpretação. O agenciamento com o acordeonista não esconde a pureza de um encontro, num ambiance que nos conecta com o que há de mais genuíno em nós, a pluralidade do mistério.
Uma Noite com Piaf
26/10/2012 às 20 h 30 min Orbacco Espaço Gastronômico Rua Cuxiponés, 125 Sumarezinho (11) 3873-0098
Hoje, na noite de 8 de outubro de 2012, faz quatro anos que eu e a Michele começamos a namorar lá no último andar daquela comedeira do SESC Avenida Paulista .Nos casamos no ano passado. Em homenagem a ela, vou postar esse conto real, autobiográfico, que aconteceu com a gente em junho de 2010 quando nos apresentamos no Coral da Aliança Francesa.
"FOTOGRAFIA"
Pensei que eu não
tivesse mais idade para isso.
Era o Festival de Música Francesa no
teatro da Aliança. Naquela noite de sexta-feira de junho de 2010, seria também
a estréia do recém criado coral da Aliança. Nele, eu debutei ao lado de
Michele.
No prévio aquecimento vocal, o meu sangue
no coração na temperatura que a água ferve nas grandes altitudes, a respiração
precisou ficar mais acelerada para compensar o ar rarefeito aqui nas alturas, o
suor das mãos eram as lágrimas que não conseguiam escorrer pelo canto esquerdo
da órbita, além de uma espera sem fim que é a forma como um filho muçulmano
aguarda pela visita do papai Noel na noite de Natal quando se é criado no maior
país católico do mundo.
A exibição era a esperança reeditada de
um menino em cuja escola deixou de existir o coral quando ele completou a idade
mínima para ser admitido. Na infância, tinha apenas seis ou sete anos e via
seus contemporâneos de dez anos cantando melodias que lhe ameaçavam desvelar
novos mundos. E talvez novos monstros também. A irmã de onze anos dizia que
nunca tinha sido aceita no grupo de cantores do colégio, porque tinha a voz
rouca, e eu meramente acatava essa explicação. Eu era pequeno demais para
entender a justificativa. Menor ainda para duvidar dela. Meramente aceitei com
a resignação dos anjos falhados a história que me era narrada.
Ao lado da regente, dos meus colegas e da
Michele, saímos da sala de treinamento no segundo andar e descemos as escadas
que se espichavam para dar a dimensão de Mont Blanc. Separei-me da Michele, já
que as mulheres iriam entrar pelo lado esquerdo do auditório, e nós, pelo
direito. Ao pisar no tapete vermelho dessa ópera de Paris, senti os meus pulsos
bailarem confusamente nos meus punhos. Faz uma vida que eu sequer sentia os
meus pulsos. A sola direita do meu pé formigou, enquanto a esquerda se recusava
a formigar e era ela quem sustentava todo o resto do meu corpo agora. Sempre
preferi ser sustentado por qualquer coisa de direita. Político de direita,
ideologia de direita, perfil direito de Deus. Agora é a minha mão direita quem
escreve esse texto. Não andava mais em linha reta. Os espectadores seriam
capazes de jurar que eu tinha esvaziado aquelas taças de chamapagne na
antessala do teatro. Juro que cheguei cedo ao prédio e elas já estavam vazias,
aguardando o término da apresentação para aí então receberem o líquido
borbulhante que lembraria aos convidados que o ser humano foi feito com quatro
doses de champagne a menos.
Dei passagem aos demais colegas para adiar
ainda mais a expectativa. Entrei sur scène como uma criança que vai enfim em
busca de seu retardado presente. Lá de cima, o teatro se transformava num
templo onde os querubins de gesso emolduravam seus rostos para se concentrarem
na música, e a platéia de rostos humanos era pura nostalgia.
Eu era o legítimo menino procurando pela
mãe na platéia. Ela não pôde estar aqui essa noite. A mãe já tão borrada não
apenas pelas nossas geografias, mas também pela distância no tempo. Os senhores
da direita eram meus contemporâneos da escola, disfarçados de trinta anos mais
envelhecidos do que eu. Se o avô de Jean Paul Sartre se orgulhava de que o
pequeno Poulou se balançava ao som de uma colher mexendo numa xícara,
anunciando “ele tem ouvido”, eu pelo contrário nasci sem ouvido. Eu era o mais
desafinado no coro. E o mais feliz também.
Já que Assis Valente foi capaz de fazer
uma francesa subir o morro e adentrar num terreiro de macumba na canção “Tem
Francesa no Morro”, eu por outro lado me inaugurava através da dança dos lábios
e da excitação dos pulmões, respirando a cultura francesa que tanto fertilizou
o imaginário do meu povo, me incitando a estudar francês sozinho em casa aos
doze anos. Antigamente, toda família síria ou libanesa tinha um piano para
enfeitar a entrada da casa, mesmo sem nunca terem tocado. Era chique parecer
francês naquela época.
Cantamos três cânones, além de uma música
do Haiti em francês crioulo. Como pôde uma nação tão abalada como essa criar
uma música tão sublime assim? A criação humana sempre negligenciou a miséria
social. Por alguns minutos remamos em direção à praia natal desses companheiros
latinos, tomando emprestados o barqueiro e a audácia deles. Os haitianos me
asseguraram de que eu não me afogaria. Caso esquecesse a letra, bastaria fazer
mímica ou careta.
A última vez em que eu tinha estado num
palco foi há oito anos quando meu pai subiu para me entregar o diploma de
Medicina. Todo mundo tinha que subir mais vezes num palco para saber como é
isso. Cinco anos após esse evento onde meu pai afirmou ter ali cumprido a sua
missão prá valer, ele decidiu voar para sempre sobre os tetos de Damasco e as
cúpulas douradas de suas mesquitas (só se descobre que os tetos de Damasco são
coloridos quando se voa a uma distância inatingível pela experiência terrena).
Foi ele quem imortalizou em mim uma de suas lições: “Os médicos árabes diziam
que a música é o melhor remédio prá alma”.
Eu me distraía o tempo todo ao encarar a
Michele. “ Je ferais mieux choisir mon
vocabulaire Pour te plaire Dans la langue de Molière.” (1) E
dizer que a Michele também tem um nome francês. Parece até que foi tudo de
propósito para que as coisas se encaixassem aqui, exceto que a mãe dela quis
poupar em um “L”, não permitindo que fosse Michelle. Se a francesa desesperada
de Assis Valente subiu o morro e foi parar num terreiro, será que a França
respondeu com uma Michele com um “L” só, morena e sensual, que canta em francês
crioulo?
E o que dizer então da Daniela, a regente?
Grávida de seis meses, ela tocava aquele coral numa empolgação, num fôlego,
numa completude. Quanta vida numa mulher tão coquette que carregava um troféu na barriga!!
Os querubins aplaudiram sem parar.
Confesso que vi até judeus e árabes de mãos dadas na platéia, desfazendo a cena
para bater palmas. Os rostos esboçados das mães dos meus contemporâneos
cumprimentavam a minha mãe agora ressuscitada atrás da cochia. Teria ela se
escondido para não constranger o seu guri?
Maurice Nahory, diretor geral da Aliança
Francesa, nos parabenizou, mas disse que precisávamos ensaiar mais. Os
franceses são tão educados.
Era hora de ser devolvido para o mundo lá
fora que me interrogava por onde eu tinha estado por alguns minutos.
- Senhor juiz, eu juro que só estava no
Coral da Aliança.
Receei ser cada vez mais parecido com o
meu pai que só pensava em trabalho. Um homem que vivia em dólar. Esse
repertório estreito não era culpa dele. A sociedade do espetáculo, toda
inundada de coca-cola e carros importados, nos exige cada vez mais o
aniquilamento daquilo que é tão genuíno dentro de nós.
Alguma transformação se processou em mim
nessa noite. Mas não vou conseguir contar para vocês qual é. Embora eu seja
desafinado e médico tal como Molière, não consigo ser bom escritor como ele. Da
mesma forma que a minha voz não se entende com as notas do piano, a minha
escrita ainda não alcança a força daquilo que sinto e que é muito maior do que
eu. Uma pena que um dia a gente morre.
Ziyad Abdel Hadi junho/2010
(1) trecho da música For me...formidable de Charles Aznavour
Gosto muito da música "Il jouait du Piano Debout", interpretada hoje em dia pela Alizée. Quis saber quem é seu autor e descobri que ela foi composta por Michel Berger (1947-1992). Berger foi uma figura importante da cena musical francesa, tanto como cantor, quanto compositor para artistas como France Gall (sua esposa), Françoise Hardy e Johnny Hallyday.
Essa canção é vítima, desde seu lançamento, de um mal entendido quanto à sua fonte de inspiração. Berger não fala de Elton John, conforme muitos atribuem, mas do roqueiro americano Jerry Lee Lewis (nascido em 1935) que tocava piano em pé sem hesitar, de um jeito muito "roqueirista", rebolando como Elvis Presley na frente de seu instrumento.
Michel Berger, filho de uma pianista, iniciou muito cedo seus estudos de piano. Apaixonou-se primeiro por Mozart, e depois, por Beatles, nos deixando paroles cativantes que atestam a sua osmose com a música.
Ne me dites pas que ce garçon était fou Il ne vivait pas comme les autres, c'est tout Et pour quelles raisons étranges Les gens qui n'sont pas comme nous, Ça nous dérange
Ne me dites pas que ce garçon n'valait rien Il avait choisi un autre chemin Et pour quelles raisons étranges Les gens qui pensent autrement Ça nous dérange Ça nous dérange
[Refrain] : Il jouait du piano debout C'est peut-être un détail pour vous Mais pour moi, ça veut dire beaucoup Ça veut dire qu'il était libre Heureux d'être là malgré tout Il jouait du piano debout Quand les trouillards sont à genoux Et les soldats au garde à vous Simplement sur ses deux pieds, Il voulait être lui, vous comprenez
Il n'y a que pour sa musique, qu'il était patriote Il s'rait mort au champ d'honneur pour quelques notes Et pour quelles raisons étranges, Les gens qui tiennent à leurs rêves, Ça nous dérange
Lui et son piano, ils pleuraient quelques fois Mais c'est quand les autres n'étaient pas là Et pour quelles raisons bizarres, Son image a marqué ma mémoire, Ma mémoire..
[Refrain]
Il jouait du piano debout Il chantait sur des rythmes fous Et pour moi ça veut dire beaucoup Ça veut dire essaie de vivre Essaie d'être heureux, Ça vaut le coup.