segunda-feira, 13 de maio de 2013

Uma Noite Francesa em São Paulo

      
      Nessa quinta-feira, dia 16 de maio, às 20 horas, vai acontecer uma noite especial no bar Mundo Mundano. Uma ambientação francesa com gastronomia desse país que fica do outro lado do mediterrâneo, e repertório ao vivo de Edith Piaf, Aznavour, Brel, Charles Trenet, Joe Dassin esperam por nós. A música será comandada pelo pianista Luciano Ruas e pela cantora Yvette Matos. 
      Mundo Mundano e curadoria de Arus Nozze estarão, nessa quinta-feira, resgatando o romantismo perdido para eu me sentir num cabaret parisiense. Um lugar digno de receber um Balzac, boêmio, glutão e que certamente faria desse Planeta Mundano sua própria casa em São Paulo, pois o Mundo Mundano é acima de tudo uma confraria literária que hoje, sem perder suas raízes nas letras, se transformou num bar com uma proposta cultural. 


terça-feira, 7 de maio de 2013

Paris, l'éternel berceau des illusions

      Há dois anos, li "Ilusões Perdidas" de Balzac. Testemunhei, ao longo das setecentas páginas, a luta de Lucien de Rubempré para vencer como um escritor na Paris do século XIX. Os salões dos intelectuais, as livrarias, as atrizes de teatro, as amantes, as carruagens, os alfaiates.
      Um século depois, Charles Aznavour, na canção Je me voyais dejà, realiza o mesmo percurso de Lucien, abandonando a província para ter êxito na capital do mundo.
     O que os protagonistas de Balzac e Aznavour possuem em comum? O devaneio, o desejo, a loucura de arriscar. O que encontram pelo caminho? As pobres refeições, os decadentes pensionatos, as mulheres temporárias, os cachês arruinados, a frustração. Seduzidos pela sociedade do espetáculo, ambos esqueceram o conselho de Sêneca de que "a gente só é feliz quando não cria expectativas."
      Como superam as derrotas da cidade grande? Com uma exagerada autoconfiança. Um lutando com sua pena até o fim, enquanto o outro com a sua voz. Conseguiram reconhecimento ainda em vida. Aznavour segue cantando com todo o seu vigor aos 89 anos, enquanto que Balzac, mesmo chegando ao fim da vida falido pela compra compulsiva de obras de arte, teve seu velório cheio de gente, representando tout le peuple de la Comédie Humaine.






Je m'voyais déjà Charles Aznavour

A dix-huit ans j´ai quitté ma province
Bien décidé à empoigner la vie
Le cœur léger et le bagage mince
J´étais certain de conquérir Paris
Chez le tailleur le plus chic j´ai fait faire
Ce complet bleu qu´était du dernier cri
Les photos, les chansons et les orchestrations
Ont eu raison de mes économies
Je m´voyais déjà en haut de l´affiche
En dix fois plus gros que n´importe qui mon nom s´étalait
Je m´voyais déjà adulé et riche
Signant mes photos aux admirateurs qui se bousculaient
J´étais le plus grand des grands fantaisistes
Faisant un succès si fort que les gens m´acclamaient debout
Je m´voyais déjà cherchant dans ma liste
Celle qui le soir pourrait par faveur se pendre à mon cou
Mes traits ont vieilli, bien sûr, sous mon maquillage
Mais la voix est là, le geste est précis et j´ai du ressort
Mon cœur s´est aigri un peu en prenant de l´âge
Mais j´ai des idées, j´connais mon métier et j´y crois encor
Rien que sous mes pieds de sentir la scène
De voir devant moi le public assis, j´ai le cœur battant
On m´a pas aidé, je n´ai pas eu d´veine
Mais au fond de moi, je suis sur d´avoir du talent
Ce complet bleu, y a trente ans que j´le porte
Et mes chansons ne font rire que moi
J´cours le cachet, j´fais du porte à porte
Pour subsister j´fais n´importe quoi
Je n´ai connu que des succès faciles
Des trains de nuit et des filles à soldats
Les minables cachets, les valises à porter
Les p´tits meublés et les maigres repas
Je m´voyais déjà en photographie
Au bras d´une star l´hiver dans la neige, l´été au soleil
Je m´voyais déjà racontant ma vie
L´air désabusé à des débutants friands de conseils
J´ouvrais calmement les soirs de première
Mille télégrammes de ce Tout-Paris qui nous fait si peur
Et mourant de trac devant ce parterre
Entré sur la scène sous les ovations et les projecteurs
J´ai tout essayé pourtant pour sortir de l´ombre
J´ai chanté l´amour, j´ai fait du comique et d´la fantaisie
Si tout a raté pour moi, si je suis dans l´ombre
Ce n´est pas ma faut´ mais cell´ du public qui n´a rien compris
On ne m´a jamais accordé ma chance
D´autres ont réussi avec un peu de voix mais beaucoup d´argent
Moi j´étais trop pur ou trop en avance
Mais un jour viendra je leur montrerai que j´ai du talent

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mas afinal o que é "chanson" ?

      Chanson é uma palavra usada para designar qualquer canção com letras em francês. A palavra chanson se refere, mais especificamente, ao estilo musical surgido na França no período renascentista, basicamente vocal.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Piaf ressuscitada no Madeleine

Convido a todos para assistirem ao show da cantora Sônia Andrade acompanhada por Thadeu Romano no acordeon nos dias 10 e 17 de abril no Madeleine Jazz Bar


segunda-feira, 25 de março de 2013

Le Chef de Gare est Amoureux de Jean Ferrat


    Jean Ferrat (1930-2010) foi um compositor, cantor e poeta francês que, em 1979, compôs a música Le Chef de Gare est Amoureux. Esta música foi feita para os guardas da estação intimidados por crianças francesas que, viajando sozinhas de trem nas férias, ficavam chamando os guardas da estação de cocu (corno, marido enganado, em francês). 
    Jean Ferrat, para homenagear, ou talvez proteger essas vítimas de crianças tão zombeteiras, criou essa bela música. Laissons glouglouter les égouts! Plaignez pas l'imbécile heureux. Le chef de gare est amoureux.



Le chef de gare est amoureux
Jean Ferrat

Quand il sort le matin d'la gareChacun sourit chacun se marreQuand il passe au milieu d'la rueChacun murmure il est cocu !Chacun chantonne il a des cornesSa connerie n'a pas de bornesChacun le croit dur de la feuilleChacun se met le doigt dans l'œil !Plaignez pas l'imbécile heureuxLe chef de gare est amoureux!Chacun raconte à sa manièreLes safaris de sa panthèreElle a la cuisse hospitalièreOui mais quand même elle exagèreTout le monde est passé dessusA part les trains bien entenduChacun décrit chacun relateSa façon de lever la patte !Plaignez pas l'imbécile heureuxLe chef de gare est amoureux!Chacun siffle la chansonnetteQuand on aperçoit sa casquetteIl est un peu bas-du-plafondIl a rien dans son pantalon !Cocu content laissons les direC'est la bêtise qui transpireEt de la bêtise il s'en foutLaissons glouglouter les égouts !Plaignez pas l'imbécile heureuxLe chef de gare est amoureux !Il n'a qu'une idée dans la têteLe train de neuf heur' cinquant'-septCar tout son bonheur en descendC'est une fille de seize ansElle est charmante elle est discrèteEt c'est dans un wagon-couchetteQue tous les soirs les deux amantsSe font un p'tit appartement !Plaignez pas l'imbécile heureuxLe chef de gare est amoureux!

terça-feira, 19 de março de 2013

Francofonia Musical

      Está acontecendo, essa semana na cidade de São Paulo, a Festa Internacional da Francofonia. O festival inclui várias programações culturais, como música, teatro, ateliês, cinema, exposições e debates.
      A partir de hoje, dia 19, até dia 22 de março, acontecem diariamente shows de música francesa em diversos locais de São Paulo. Vejam a programação no link      http://www.aliancafrancesa.com.br/francofonia2013/musica.htm
Abraço a todos, Ziyad

segunda-feira, 18 de março de 2013

Allégresse no Otto Bistrot parte II


          Nesse último sábado, fui assistir ao tão esperado show no Otto Bistrot. O restaurante é muito acolhedor, situado numa casa enfeitada com peças ao estilo vintage, comandado por uma família. Não espere encontrar um catálogo com o cardápio. Ele está todo escrito na parede. Sentiu um clima europeu?
          Conheci o show Allégresse e sua intérprete Tatiana Pereira. Sentei-me colado com a dupla que, ao longo da noite, nos fez sentir num pequeno cabaret do Quartier Latin, interpretando Piaf, Aznavour, uma nova versão de Voyage,Voyage (Desireless), composições da própria Tatiana, Zaz, Joe Dassin, e a canção "Águas de Março", de Tom Jobim, na versão francesa de Georges Moustaki. 
          Embalado pela voz e violão da dupla, acomodado numa mesa grudado com esse trio (sim, a Tatiana está grávida), eu quase alcancei o que é visceral.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Allégresse no Otto Bistrot

          Nesse próximo sábado, dia 16 de março de 2013, no Otto Bistrot, acontecerá o show ALLÉGRESSE Chanson Française. Esse show, que já teve quatro músicos em sua apresentação, reestréia agora numa  versão de poche, mais reservada, com dois componentes: Tatiana Pereira, cantora, e Rafael Nascimento, violinista. Preparados para um repertório romântico como La Bohème, Ne me Quitte pas, Les Feuilles Mortes, La Vie en Rose, Eux de Mars (Tom Jobim)?
          É a primeira vez que vou assistir essa dupla e estou com muita expectativa. Prometo que, na próxima semana, vou postar outra vez aqui no blog sobre esse show, desde já imperdível para mim,  baseado no que li sobre Tatiana Pereira em seu site www.tatianapereiracantora.com Ela nasceu em Minas Gerais onde estudou teatro. Foi parar em Paris em 1998 onde continuou a se dedicar às artes cênicas. Em 2001, estudou ópera chinesa em Taiwan. Em 2009, decidiu não abrir uma escola de francês, mas mergulhar na música. Já desenvolveu também o show "É um Luxo Só" em homenagem à Ary Barroso. A potência da arte nas veias para quem é filha de um pai que tem uma roda de samba em Minas. Já estou impressionado com essa cantora, só em conhecer a sua trajetória de vida.

Otto Bistrot
Sábado, 16/03/2013 21 h
Rua Pedro Taques, 129
Consolação
Reservas: 3231-5330
          

segunda-feira, 4 de março de 2013

Nicola Són é parioca

Viva o samba dingue

                                                     
      Nicola Són nasceu em Paris, mas adotou a cidade do Rio de Janeiro.  Descendente de armênios (lembrou de Charles Aznavour?), o cantor descobriu a música brasileira na adolescência ao ouvir "Lígia" de Tom Jobim, interpretada por João Gilberto e Stan Getz. 
      Aos 23 anos, aterrisou na cidade do Rio de Janeiro para expandir suas fronteiras sonoras.
      Foi com a vivência adquirida sobre o Brasil, somada a noites regadas a batuque e boemia no bairro da Lapa, que Nicola Són gravou o CD Parioca. Nesse CD, a língua francesa requebra ao som do cavaquinho e do pandeiro. Um espetáculo que Nicola Són chamou de samba-chanson, o encontro musical entre Brasil e França.

Nicolas Son - Parioca

PARIOCA (CD) / Nicola Són / Gravadora Tratore (O CD pode ser encontrado na Livraria Cultura por R$ 34,90)





terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Bernard Fines: um francês abrasileirado



      Nessa última sexta-feira, dia 22/02, fui ver Bernard Fines no All of Jazz. Fines cantou acompanhado de um trio. A noite reservou um repertório francês em ritmo de jazz, bossa nova com sotaque dos Pirineus, e inclusive alguns clássicos brasileiros cantados na língua de Victor Hugo. Sentir de perto Bernard Fines soltar “Meu Bem Querer” de Djavan em francês traz muita paz. 
      Enquanto Fines cantava, eu tentava adivinhar como veio parar em nosso país. Sem material sobre ele, comecei a inventar a sua história. O bisavô era português que migrou para Recife, tornou-se um latifundiário, se envolveu com uma índia e tiveram quatro filhas. Uma delas, a avó de Bernard, conheceu um francês pagão cuja penalidade, por não ser católico, era morar numa colônia na América do Sul. Ambos embarcaram para Toulousse quando a pena foi revogada. Duas gerações após, o neto se forma em antropologia e, influenciado pelos estudos de Lévi Strauss, retorna ao Brasil para se conectar com a matriz da avó cabocla. 
      Em poucos instantes, devolvi com facilidade um passado ao artista cuja vida eu tentava encaixar numa lógica, como se eu tivesse abortado em mim “as linhas de fuga” deleuziana. Após uma taça de champagne, a gente pode criar qualquer coisa. Quase pedi uma dose de vinho verde depois. Ando cercado de Pernambuco no último mês. Estou no meio da leitura de “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freyre, iniciando-me na linguagem nativa de “Boi sem Asas” da escritora Nina Maniçoba (de Floresta-PE) e sacudido com a recente descoberta de Kleber Mendonça Filho (diretor do filme “O Som ao Redor”). Preciso conhecer com urgência Recife e suas pontes abençoadas de gente interessante. 
      Ao final da apresentação, o depositário de todas as minhas confabulações sentou-se à nossa mesa. Teria sido essa uma atitude para desmontar a minha imaginação? Naquela hora, pude entrar em contato com o mundo real, concreto, único lugar onde as coisas se tocam de mentira. A sensação produzida pela arte pode, às vezes, ser a nossa única verdade. Na proximidade com monsieur Bernard, ele mostrou o quanto é simpático, nem parece francês. Confessou que a alegria das pessoas no Brasil é a parte mais atraente. Um povo sorridente, apesar dos problemas. Ao me lembrar da sua interpretação de Djavan, cheguei a pensar que o cruzamento não foi com uma índia, mas havia sangue negro esparramado. Eu me esforçava para dar corpo à história que eu tinha inventado minutos 
antes. 
      O músico contou-me, ao final, que veio morar no Brasil para trabalhar como engenheiro no Paraná, mas sempre foi um apaixonado pela riqueza da música brasileira, sobretudo por Caetano Veloso, Tom Jobim, Milton Nascimento e Chico Buarque. Comentou o quanto a música brasileira é vasta em acordes. 
      Bernard Fines é prodigioso em fazer acordos com acordes. Um francês disfarçado de mestiço, sintetizando toda a pluralidade de encontros. Um casamento que deu certo. Só faltou o cartório. Où est le maire ?

BOI SEM ASAS, de Nina Maniçoba Ferraz, Dobra Editorial, 2012


















segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Bernard Fines no All of Jazz





    Bernard Fines é nativo de Toulouse. Mudou-se para o Brasil em 1992 para trabalhar como engenheiro. Em 2003, deu início à carreira como músico profissional. Cantor, compositor e músico (toca piano, violão, contrabaixo). Enquanto que para Proust os belos livros estão escritos numa espécie de língua estrangeira, é na língua materna que Fines começa registrando a intensidade do encontro, ao interpretar clássicos de sua pátria com arranjos de jazz.
    Bernard lançou em 2008 o CD “Sous le Ciel de Paris” (Delira Música) onde canta renomadas canções como La Bohème (Aznavour), Que reste-t-il de nos amours (Charles Trenet), Ne me quitte pas (Brel), Comme d’habitude (Claude François), C’est si bon (Yves Montand), Les feuilles mortes (Jacques Prévert), etc.

    Bernard Fines & Júlio Bittencourt Jazz Trio se apresentam nessa sexta-feira, dia 22 de fevereiro, às 22 h 30 min , na casa All of Jazz. O local é bastante enxuto, acomoda 50 pessoas sentadas em um único e pequeno salão, proporcionando um clima mais intimista entre quem toca e quem ouve. No andar superior, há uma sala recheada de CD’s só de jazz e bossa nova, com três mil títulos à venda. Antônio Augusto Deleuse, dono do bar, diz que “quanto aos CD’s, compro e ponho à venda os que quero para mim.” Deleuse, ex-engenheiro da Rhodia, uma vez me falou, brincando é claro, que sonhava em abrir um bar onde ele pudesse beber sem pagar. Um devaneio que tem marcado a diferença na Vila Olímpia há 18 anos.


Bernard Fines e Júlio Bittencourt Jazz Trio
French Jazz
Sexta-feira 22/02/2013 às 22 h 30 min


All of Jazz

Rua João Cachoeira, 1366
Vila Olímpia
São Paulo - SP

Reservas pelo telefone: 3849-1345






quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Uma Música Contra uma Guerra






"Quand on n'a que l'amour Pour parler aux canons
Et rien qu'une chanson Pour convaincre un tambour" Jacques Brel
"A desterritorialização enfraquece o reinado da arte em oposição à vida, 
promove o encontro entre vida e arte, 
onde uma e outra se tornam indiscerníveis." Deleuze





     Jacques Brel, apesar de uma infância e juventude burguesa em Bruxelas, cantava os pobres, os tímidos, os frustrados, os desesperados, os vencidos, proclamando que toda a gente precisa de ternura.
     Em 1956, enquanto se acentuava a Guerra de Independência da Argélia, Brel escreve “Quand on n’a que l’amour”, que testemunha a própria oposição do cantor à guerra. Ao pequeno belga que leu na escola Victor Hugo e Albert Camus, não faltou imaginação para dar voz aos oprimidos do norte da África.
     Nessa canção, observa-se a técnica de canto utilizada por Brel, o crescendo, onde se aumenta progressivamente o volume e a dinâmica da canção. Em “Quand on n’a que l’amour”, o seu crescendo e final explosivo serão retomados em outras composições e ficarão conhecidos como “crescendo brélien”. A soberania de uma voz e de um violão nos convocam, no último verso dessa música, para a grandiosidade da ternura. Alors sans avoir rien Que la force d’aimer, Nous aurons dans nos mains Amis, le monde entier





Quand on n'a que l'amour
Paroles et Musique: Jacques Brel 1956 autres 


Quand on n'a que l'amour À s'offrir en partage Au jour du grand voyage Qu'est notre grand amour Quand on n'a que l'amour, Mon amour toi et moi Pour qu'éclatent de joie, Chaque heure et chaque jour. Quand on n'a que l'amour Pour vivre nos promesses Sans nulle autre richesse Que d'y croire toujours Quand on n'a que l'amour Pour meubler de merveilles Et couvrir de soleil La laideur des faubourgs Quand on n'a que l'amour Pour unique raison Pour unique chanson Et unique secours Quand on n'a que 'amour Pour habiller le matin Pauvres et malandrins De manteaux de veloursQuand on n'a que l'amour À offrir en prière Pour les maux de la terre, En simple troubadour Quand on n'a que l'amour À offrir à ceux-là Dont l'unique combat Est de chercher le jour Quand on n'a que l'amour Pour tracer un chemin Et forcer le destin À chaque carrefour Quand on n'a que l'amour Pour parler aux canons Et rien qu'une chanson Pour convaincre un tambour Alors, sans avoir rien Que la force d'aimer, Nous aurons dans nos mains, Amis, le monde entier





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Henri Salvador

Inspiração ou sintonia?


        
       Henri Salvador é americano. Do sul. Nascido em Caiena, capital da Guiana Francesa, filho de um professor descendente de espanhóis e de uma mãe de origem indígena, amazônica, mudou-se para Paris aos sete anos.


  Henri morou no Rio de Janeiro por quatro anos durante a Segunda Guerra Mundial. O músico chegou à cidade maravilhosa em 1942 para uma temporada de shows no Copacabana Palace, mas falido e logrado pelo gerente do hotel, conseguiu construir uma reputação no Cassino da Urca.


        Por ocasião de sua morte em 2008, obituários do mundo inteiro o apresentavam como o inspirador de Tom Jobim na criação da Bossa Nova através da música "Dans mon Île" (1957). Em entrevista a uma rádio francesa, Henri contou que foi no filme italiano "Europa da Noite"(1959) que Tom Jobim ouviu, pela primeira vez, a canção "Dans mon Île" e comentou com Sérgio Mendes: " É isso aí. É o que nós temos de fazer - atrasar o andamento do samba, botar acordes modernos e transformá-los num ritmo completamente novo. " Tom assistiu ao filme no Brasil em 1960, quando já tinha feito várias composições como "Chega de Saudade", "Samba de Uma Nota Só",  "Desafinado", "Corcovado". Vamos supor, entretanto, que "Dans mon Île" tenha estourado em disco antes do filme, e o 45 rpm, com um buraco no meio, tenha chegado às mãos de Tom em 1957. Ele já havia feito "Correnteza", "Tereza da Praia", "Lamento no Morro".
        Assim, pode-se dizer que Henri Salvador, condecorado pelo governo brasileiro em 2006, por sua "contribuição à criação da bossa nova", inspirou Jobim a fazer o que de há muito já fazia.
          Será que o papel de Henri Salvador na Bossa é um mito?
         Eu acredito que uma música autêntica é tão impessoal que deixa de ser autoral. A Bossa Nova tá na boca do povo, pertence ao coletivo. Não interessa se o compositor guianês teve alguma ou nenhuma influência sobre o nosso maestro maior. Um grande músico é aquele que consegue ser atravessado por vários fluxos e dar uma unidade a eles. E isso Salvador e Jobim souberam fazer tão bem.










segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Jantar com Piaf em São Paulo

   


O melhor da Gastronomie Française com o melhor de la musique


        Querem jantar nesse final de semana um cardápio francês com a melodia francófona na beira do ouvido? Recomendo a todos o jantar "Uma noite com Piaf" que acontecerá nessa sexta-feira, dia 26 de outubro, no Orbacco, um espaço gastronômico no Sumarezinho. O evento será embalado pela cantora Sônia Andrade que interpretará o repertório de Edith Piaf ao som do acordeon de Tadeu Romano. Uma das poucas oportunidades de se ouvir a voz cativante de Sônia embalada pelo acordeon de Tadeu que nos transporta para uma época mais artesanal onde a lágrima e o aplauso tomam o lugar de um mundo cheio de fraudes.      
         Eu já fui duas vezes nesse evento e o recomendo bastante. O jantar preparado pelo chef Luis Felipe Calmon é para inglês ver (nem preciso dizer que o local é uma escola de gastronomia). Sou fã número um da Sônia desde quando a conheci em 2010, essa mineira que morou em Montpellier e parece ter o sangue todo substituído por vinho rouge quando canta, tal a força de sua interpretação. O agenciamento com o acordeonista não esconde a pureza de um encontro, num ambiance que nos conecta com o que há de mais genuíno em nós, a pluralidade do mistério.


Uma Noite com Piaf
26/10/2012 às 20 h 30 min Orbacco Espaço Gastronômico
Rua Cuxiponés, 125
Sumarezinho
(11) 3873-0098



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Francesa no Morro

Et Michele dans Mon Coeur

        
          Hoje, na noite de 8 de outubro de 2012, faz quatro anos que eu e a Michele começamos a namorar lá no último andar daquela comedeira do SESC Avenida Paulista .Nos casamos no ano passado. Em homenagem a ela, vou postar esse conto real, autobiográfico, que aconteceu com a gente em junho de 2010 quando nos apresentamos no Coral da Aliança Francesa.




"FOTOGRAFIA"

Pensei que eu não tivesse mais idade para isso.
     Era o Festival de Música Francesa no teatro da Aliança. Naquela noite de sexta-feira de junho de 2010, seria também a estréia do recém criado coral da Aliança. Nele, eu debutei ao lado de Michele.
     No prévio aquecimento vocal, o meu sangue no coração na temperatura que a água ferve nas grandes altitudes, a respiração precisou ficar mais acelerada para compensar o ar rarefeito aqui nas alturas, o suor das mãos eram as lágrimas que não conseguiam escorrer pelo canto esquerdo da órbita, além de uma espera sem fim que é a forma como um filho muçulmano aguarda pela visita do papai Noel na noite de Natal quando se é criado no maior país católico do mundo.
      A exibição era a esperança reeditada de um menino em cuja escola deixou de existir o coral quando ele completou a idade mínima para ser admitido. Na infância, tinha apenas seis ou sete anos e via seus contemporâneos de dez anos cantando melodias que lhe ameaçavam desvelar novos mundos. E talvez novos monstros também. A irmã de onze anos dizia que nunca tinha sido aceita no grupo de cantores do colégio, porque tinha a voz rouca, e eu meramente acatava essa explicação. Eu era pequeno demais para entender a justificativa. Menor ainda para duvidar dela. Meramente aceitei com a resignação dos anjos falhados a história que me era narrada.
     Ao lado da regente, dos meus colegas e da Michele, saímos da sala de treinamento no segundo andar e descemos as escadas que se espichavam para dar a dimensão de Mont Blanc. Separei-me da Michele, já que as mulheres iriam entrar pelo lado esquerdo do auditório, e nós, pelo direito. Ao pisar no tapete vermelho dessa ópera de Paris, senti os meus pulsos bailarem confusamente nos meus punhos. Faz uma vida que eu sequer sentia os meus pulsos. A sola direita do meu pé formigou, enquanto a esquerda se recusava a formigar e era ela quem sustentava todo o resto do meu corpo agora. Sempre preferi ser sustentado por qualquer coisa de direita. Político de direita, ideologia de direita, perfil direito de Deus. Agora é a minha mão direita quem escreve esse texto. Não andava mais em linha reta. Os espectadores seriam capazes de jurar que eu tinha esvaziado aquelas taças de chamapagne na antessala do teatro. Juro que cheguei cedo ao prédio e elas já estavam vazias, aguardando o término da apresentação para aí então receberem o líquido borbulhante que lembraria aos convidados que o ser humano foi feito com quatro doses de champagne a menos.
     Dei passagem aos demais colegas para adiar ainda mais a expectativa. Entrei sur scène como uma criança que vai enfim em busca de seu retardado presente. Lá de cima, o teatro se transformava num templo onde os querubins de gesso emolduravam seus rostos para se concentrarem na música, e a platéia de rostos humanos era pura nostalgia.
     Eu era o legítimo menino procurando pela mãe na platéia. Ela não pôde estar aqui essa noite. A mãe já tão borrada não apenas pelas nossas geografias, mas também pela distância no tempo. Os senhores da direita eram meus contemporâneos da escola, disfarçados de trinta anos mais envelhecidos do que eu. Se o avô de Jean Paul Sartre se orgulhava de que o pequeno Poulou se balançava ao som de uma colher mexendo numa xícara, anunciando “ele tem ouvido”, eu pelo contrário nasci sem ouvido. Eu era o mais desafinado no coro. E o mais feliz também.
     Já que Assis Valente foi capaz de fazer uma francesa subir o morro e adentrar num terreiro de macumba na canção “Tem Francesa no Morro”, eu por outro lado me inaugurava através da dança dos lábios e da excitação dos pulmões, respirando a cultura francesa que tanto fertilizou o imaginário do meu povo, me incitando a estudar francês sozinho em casa aos doze anos. Antigamente, toda família síria ou libanesa tinha um piano para enfeitar a entrada da casa, mesmo sem nunca terem tocado. Era chique parecer francês naquela época.
     Cantamos três cânones, além de uma música do Haiti em francês crioulo. Como pôde uma nação tão abalada como essa criar uma música tão sublime assim? A criação humana sempre negligenciou a miséria social. Por alguns minutos remamos em direção à praia natal desses companheiros latinos, tomando emprestados o barqueiro e a audácia deles. Os haitianos me asseguraram de que eu não me afogaria. Caso esquecesse a letra, bastaria fazer mímica ou careta.
     A última vez em que eu tinha estado num palco foi há oito anos quando meu pai subiu para me entregar o diploma de Medicina. Todo mundo tinha que subir mais vezes num palco para saber como é isso. Cinco anos após esse evento onde meu pai afirmou ter ali cumprido a sua missão prá valer, ele decidiu voar para sempre sobre os tetos de Damasco e as cúpulas douradas de suas mesquitas (só se descobre que os tetos de Damasco são coloridos quando se voa a uma distância inatingível pela experiência terrena). Foi ele quem imortalizou em mim uma de suas lições: “Os médicos árabes diziam que a música é o melhor remédio prá alma”.
     Eu me distraía o tempo todo ao encarar a Michele. “ Je ferais mieux choisir mon vocabulaire Pour te plaire Dans la langue de Molière.” (1) E dizer que a Michele também tem um nome francês. Parece até que foi tudo de propósito para que as coisas se encaixassem aqui, exceto que a mãe dela quis poupar em um “L”, não permitindo que fosse Michelle. Se a francesa desesperada de Assis Valente subiu o morro e foi parar num terreiro, será que a França respondeu com uma Michele com um “L” só, morena e sensual, que canta em francês crioulo?
     E o que dizer então da Daniela, a regente? Grávida de seis meses, ela tocava aquele coral numa empolgação, num fôlego, numa completude. Quanta vida numa mulher tão coquette que carregava um troféu na barriga!!
     Os querubins aplaudiram sem parar. Confesso que vi até judeus e árabes de mãos dadas na platéia, desfazendo a cena para bater palmas. Os rostos esboçados das mães dos meus contemporâneos cumprimentavam a minha mãe agora ressuscitada atrás da cochia. Teria ela se escondido para não constranger o seu guri?
     Maurice Nahory, diretor geral da Aliança Francesa, nos parabenizou, mas disse que precisávamos ensaiar mais. Os franceses são tão educados.
     Era hora de ser devolvido para o mundo lá fora que me interrogava por onde eu tinha estado por alguns minutos.
     - Senhor juiz, eu juro que só estava no Coral da Aliança.
     Receei ser cada vez mais parecido com o meu pai que só pensava em trabalho. Um homem que vivia em dólar. Esse repertório estreito não era culpa dele. A sociedade do espetáculo, toda inundada de coca-cola e carros importados, nos exige cada vez mais o aniquilamento daquilo que é tão genuíno dentro de nós.
     Alguma transformação se processou em mim nessa noite. Mas não vou conseguir contar para vocês qual é. Embora eu seja desafinado e médico tal como Molière, não consigo ser bom escritor como ele. Da mesma forma que a minha voz não se entende com as notas do piano, a minha escrita ainda não alcança a força daquilo que sinto e que é muito maior do que eu. Uma pena que um dia a gente morre.

                  Ziyad Abdel Hadi        junho/2010

 (1) trecho da música For me...formidable de Charles Aznavour






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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Il Jouait du Piano Debout

Para Jerry Lee Lewis

          
         Gosto muito da música "Il jouait du Piano Debout", interpretada hoje em dia pela Alizée. Quis saber quem é seu autor e descobri que ela foi composta por Michel Berger (1947-1992). Berger foi uma figura importante da cena musical francesa, tanto como cantor, quanto compositor para artistas como France Gall (sua esposa), Françoise Hardy e Johnny Hallyday. 
                Essa canção é vítima, desde seu lançamento, de um mal entendido quanto à sua fonte de inspiração. Berger não fala de Elton John, conforme muitos atribuem, mas do roqueiro americano Jerry Lee Lewis (nascido em 1935) que tocava piano em pé sem hesitar, de um jeito muito "roqueirista", rebolando como Elvis Presley na frente de seu instrumento.
          Michel Berger, filho de uma pianista, iniciou muito cedo seus estudos de piano. Apaixonou-se primeiro por Mozart, e depois, por Beatles, nos deixando paroles cativantes que atestam a sua osmose com a música.





IL JOUAIT LE PIANO DEBOUT (Michel Berger)
Ne me dites pas que ce garçon était fou
Il ne vivait pas comme les autres, c'est tout
Et pour quelles raisons étranges
Les gens qui n'sont pas comme nous,
Ça nous dérange

Ne me dites pas que ce garçon n'valait rien
Il avait choisi un autre chemin
Et pour quelles raisons étranges
Les gens qui pensent autrement
Ça nous dérange
Ça nous dérange

[Refrain] :
Il jouait du piano debout
C'est peut-être un détail pour vous
Mais pour moi, ça veut dire beaucoup
Ça veut dire qu'il était libre
Heureux d'être là malgré tout
Il jouait du piano debout
Quand les trouillards sont à genoux
Et les soldats au garde à vous
Simplement sur ses deux pieds,
Il voulait être lui, vous comprenez

Il n'y a que pour sa musique, qu'il était patriote
Il s'rait mort au champ d'honneur pour quelques notes
Et pour quelles raisons étranges,
Les gens qui tiennent à leurs rêves,
Ça nous dérange

Lui et son piano, ils pleuraient quelques fois
Mais c'est quand les autres n'étaient pas là
Et pour quelles raisons bizarres,
Son image a marqué ma mémoire,
Ma mémoire..

[Refrain]

Il jouait du piano debout
Il chantait sur des rythmes fous
Et pour moi ça veut dire beaucoup
Ça veut dire essaie de vivre
Essaie d'être heureux,
Ça vaut le coup.




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"As cartas de amor de Edith Piaf"

Alma de Piaf é leiloada em Paris


                         Existe algo mais íntimo do que cartas? No mundo contemporâneo, existe cada vez menos espaço para elas, pois estamos ocupados demais com o consumismo. Além disso, a tecnologia tornou as relações cada vez mais efêmeras, deletando sem cerimônia as mensagens, relações e desejos.
       As 52 cartas escritas por Edith Piaf entre novembro de 1951 e setembro de 1952 foram leiloadas em Paris em junho de 2009, por 67 mil euros. O grande mistério, a quem essas cartas foram destinadas, veio à público no ano passado na França, e esse ano no Brasil com o lançamento do livro "As Cartas de Amor de Edith Piaf". O livro chega até nosso país pela editora Amarilys com 16 fotos e um papel rústico como se fosse papel de carta usado. Muito interessante.
       O sortudo era Louis Gérardin, conhecido como Toto, ciclista, campeão do mundo em 1930. No final de 1951, Piaf, arrasada pela morte de Marcel Cerdan e perdida no alcoolismo, se apaixona por Gérardin. Seria Toto a sobrevivência de Cerdan? Creio que sim, pois a cantora arranca violenta: "Eu te amo com toda a força da minha alma, do meu coração e da minha pele, não haverá nada atrás de ti, eu quero que tu sejas o único." Alma, coração e pele. A trindade piafiana despejada em páginas de caderno. Ao diabo as vírgulas, as nuances. É a hemorragia, interrompida nos pontos de exclamação. Espantosos exercícios de "ventriloquia fusional", como observa Cécile Guilbert no prefácio do livro.
        A parte que mais me chamou a atenção nesse confessionário   é a imensa vontade de Edith levar uma vida normal aos 36 anos. Ela imagina o casal em uma lar com "belos lençóis, coberta de mesa", "cabideiros oblíquos"; ele terá um armário com seus sapatos e todos os utensílios para encerá-los. Ela previu até mesmo uma pequena farmácia. Piaf dá tudo. Mas narcisicamente ela quer tudo receber. Tudo o que ela perdeu: um pai, Louis Gassion, que foi sua única família e que Toto deve substituir. E certamente uma criança ( sua pequena Marcelle tinha morrido de meningite aos 2 anos). Ela sonha que esse bebê seja acima de tudo de Louis Gérardin.
        Piaf diz que ela era virgem antes de conhecer Gérardin. A artista faz de nós voyeurs, literários, mas voyeurs. Existe algo de sacrilégio em ler a vida íntima de dois amantes. Piaf não iria gostar que escavássemos sua vida até esse ponto, pois não deixou essas cartas para a posteridade. Eu conservo esse livro na minha biblioteca, espreitando pequenos fragmentos. Eu a respeito muito para abrir demais as gavetas da sua cômoda.

 As Cartas de Amor de Edith Piaf/ Ed. Amarilys/172 páginas/2012/ R$ 39,00
 
      Essa canção "Plus Bleu que Tes Yeux", Piaf fez em dedicação à Louis Gérardin. O livro no França se chama "Mon Coeur Bleu".
 

Louis Gérardin
 Des lettres inédites de la môme Piaf
          
 
      






quinta-feira, 27 de setembro de 2012

My Way & Claude François


Claude François do começo ao fim


Um nome escrito com letras de fogo



          
          Estreou há 2 semanas o filme "MY WAY", filme que conta a história do cantor Claude François. O filme na França se chamou "Cloclo", a maneira como ele era conhecido na terra gaulesa.
          Assisti o filme e fui cativado já nas primeiras cenas. Logo no começo, é criada uma grande expectativa quando uma mulher no Oriente Médio lê a borra de café para a mãe de Claude, grávida, e anuncia: " Vai ser um menino e vejo o nome dele escrito com letras de fogo ". Ainda no início, mostra a infância dele no Egito (nasceu na cidade de Ismaília) tocando derbake e dançando em meio a ritmos árabes. 
           Claude compôs a canção "Comme d'habitude" em 1967. Fez muito sucesso nos anos 60 e 70, chegando a vender em torno de 70 milhões de LPs. Comme d'habitude ficou imortalizado anos mais tarde como MY WAY na voz de Frank Sinatra. A versão que mais gosto é a de Michel Sardou (postei o vídeo abaixo).
            O filme mostra uma trajetória de vida com altos e baixos, infância no norte da África, adolescência em Mônaco e vida adulta em Paris. 
            A última cena do filme mostra o canal do Suez, ofuscante. A história volta mais uma vez à origem, o Egito. Acredito que foi toda essa base, tanto geográfica, multicultural e familiar, que fez com que "Cloclo" se tornasse esse ser humano tão singular.